Mudanças no centro histórico paulistano

Mesmo após décadas, o centro de São Paulo guarda muitos encantos, como a arquitetura antiga e a história que cada prédio tem a oferecer aos visitantes, que vem de toda parte do Brasil e do mundo.
Existem variadas alternativas para fazer um bom passeio e conhecer os prédios antigos do centro da capita paulistana. Uma dessas formas é o passeio organizado pela secretaria de turismo do estado de São Paulo. As visitas acontecem gratuitamente de terça a domingo, às dez e às quatorze horas. E percorre três kilometros em apenas duas horas.
Ainda que a arqutetura dos edifícios fascine muita genrte é notória a degradação e o mal estado de conservação desses patrimônios históricos do centro, que na maioria dos casos são imóveis tombados e protegidos pelo poder público.
Por outo lado há uma série de edifícios que foram ou serão demolidos para dar lugar a outros tipos de empreendimentos.
Um dos diretores dos sindicatos dos arquitetos e urbanistas de São Paulo, Zan Quaresma explica a real condição desses imóveis.“A região central de Sp contém uma grande quantidade de edifícios antigos, por ser a primeira região da cidade onde houve um adensamento e uma verticalização, oque agente verifica no centro são edifícios que estão se degradando por duas razões, a primeira é o esvaziamento em termos de população residencial e num segundo momento o esvaziamento por atividades comerciais e serviços”diz.
Com relação as possíves demolições que poderão ocorrer no cento histórico, Quaresma fala como é de fato o processo de proteção dos bens históricos do centro paulistano. “O centro de São Paulo apresenta uma grande incidência de bens históricos, artístico, arquitetonicos e até arqueologico, e uma boa parte desses bens de interesse são bens tombados, seja na esfera estadual, municipal, federal ou nas tres. O tombamento garante a permanencia do imóvel que foi tomabado, o que significa  a possibilidade de não derrubada”,explica.
O urbanista ecsclarece referente a autorização de demolição mais recente, que é a do hotel Ca’d’Oro localizado na rua augusta no centro paulistano. “É um bem que tem seu interesse cultural e tem importancia cultural, mas que não é especialmente tombado, o hotel está numa área que é chamada de involtória de bem tombável, no caso patrimonio Caetano de Campos para citar um deles, o que significa que qualquer intervenção naquele imóvel tem que se levar em consideração o fato de o hotel ser parte da área envoltoria de um bem tombado”,esclarece.

O que é e quem faz cidadania

População sem estrutura e com uma taxa de analfabetismo de quase 50 milhões de pessoas compromete o exercício de cidadania.

A palavra Cidadania veio do latim civita, que significa cidade e uma das definições de cidadania é a pessoa exercer seus direitos e deveres não só para conviver em sociedade, mas também porque se sentem bem.  E como será que o brasileiro encara o cidadão?  Todos nós devemos conhecer alguma história de algum amigo ou parente que teve alguma atitude “moralmente” correta e que foi achincalhado por algumas pessoas. Pois é, ser cidadão no Brasil não é uma tarefa muito fácil, talvez pelo seu histórico casos de exploração, isso tenha ficado na consciência das pessoas, cansadas de serem exploradas, quererem levar vantagem das situações.
A situação de falta de interesse pelo ato de fazer cidadania deve se levar em conta a falta dos direitos básicos do cidadão, como educação, saúde e moradia, pois sem educação não há como entender o processo de cidadania. Que é o que acontece no país com grande parte da população, na qual segundo reportagem da Reuters, tem 16 milhões de analfabetos e 33 milhões de analfabetos funcionais, que são pessoas incapazes de entender textos longos e cursaram em média quatro séries de estudos concluídos.  
O brasileiro classifica o cidadão de uma forma pejorativa, aquela pessoa que não obtêm sucesso, ingênua e que dificilmente atingirá seus objetivos profissionais e pessoais. Afinal para atingir esse êxito precisa ter o jeitinho brasileiro, ou aplicar a famosa lei de Gérson (levar vantagem em tudo) em seu dia- a- dia.

Essa imagem deturpada do cidadão contribuiu para que tenhamos uma sociedade como à de hoje, sem tolerância e com problemas sérios de convívio. E como a mídia constrói a imagem do cidadão? A grande maioria traça um estilo de coitadinho ou sensacionalista, mostrando a casa da pessoa, a vida socioeconômica dela, expondo a uma situação no mínimo constrangedora. Um exemplo que podemos citar é a novela da Rede Record: Cidadão brasileiro, que traçou a imagem de um homem pobre e honesto que convive com a tentação de corromper-se para subir na vida. 
No Brasil, é comum ter uma percepção equivocada das principais estruturas da sociedade. E não é diferente com o que diz respeito à cidadania, pois a população não tem exemplos de onde deveriam ter, que são dos seus representantes públicos, pois não é difícil recordar um grande número de casos de políticos desonestos mostrados através da mídia. Os partidos políticos que são a base do regime democrático têm como obrigação em todos os aspectos assumir a responsabilidade de ser a ligação entre a sociedade e seus problemas. Sem a devida estrutura, o cidadão fica vulnerável a errar com relação aos seus direitos e deveres que ele desconhece.

Invisíveis
Pesquisa divulgada pela FIP(Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) informa que 13.666  pessoas moram nas ruas de São Paulo
Mãe e filhos em casa improvisada na calçada da câmara -SP



São Paulo, mais de 13 milhões de pessoas só na capital, uma das economias mais importantes do país, que produz a maior parte do PIB nacional. Pessoas vêm e vão de todos os lados e de todas as direções admirando o cenário urbano. Mas há um elemento que incomoda muitas pessoas e aos poucos, se tornou parte da paisagem, os moradores de rua. Há muito tempo os moradores de São Paulo, assim como de outras cidades do Brasil convivem com esse personagem comum no seu dia a dia, pessoas em situação de total miséria. Segundo a FIP(Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o número de moradores em situação de rua cresceu. Em pesquisa realizada entre os anos de 2000 e 2009, constatou-se o aumento de 57% a mais de pessoas que vivem nas calçadas.


 Ainda que sejam muitas as pessoas nas calçadas e se fazem notar muitas vezes pelas roupas maltrapilhas e sujeira, esses seres humanos se sentem invisíveis dentro da correria da movimentada São Paulo. São 13.666 pessoas nessas condições, sem casa, desempregadas e sem destino, a vagar por São Paulo, como Sofia Corrêa Portugal , moradora de rua que se diz autodidata. Ela afirma ter estudado apenas por três meses e não quis mais ir para a escola, onde morava no interior de Minas Gerais,em Lavras. Sofia escreve poemas e pinta quadros na calçada de um restaurante no bairro Jardim Paulista, área nobre de São Paulo.
 Além disso, Sofia é apaixonada por futebol e escreve sobre o esporte. Como as poesias que  fez em homenagem ao centenário do Corinthians, um total de quatro paginas lidas em voz alta por ela e com muita emoção.


O sociólogo Renato Carvalheira do Nascimento informa serem vários os motivos que levam uma pessoa a residir na rua. “Uma delas que achei interessante é que na cidade do Rio de Janeiro vários deles eram trabalhadores e ficava muito caro ir e voltar de casa ao trabalho, daí dormia nas ruas. Mas existe muito forte a questão das drogas: crack e álcool principalmente. Há também problemas psicológicos”.
Indagado também se existe algum benefício para esses moradores, como por exemplo, não ter contas para pagar, Renato é objetivo na resposta. “É bastante relativo, além de não pagar contas, apontam liberdade, mas os custos são maiores que os benefícios.”


Renato explica o paradoxo que é essa situação, como a de São Paulo e Rio de Janeiro, que são as maiores economias do país e não conseguem eliminar esse estado de miséria das pessoas. “Economias como São Paulo e Rio de Janeiro receberam um contingente enorme de pessoas nas décadas de 60, 70,80 e 90. Somente agora as duas cidades não estão crescendo, além disso, o capitalismo é excludente por natureza. O capital nunca foi amigo do social. Economia forte não significa resolução dos problemas sociais”, disse.


Diante do problema social, que é tão explícito, a impressão é de que existe indiferença por parte da sociedade com relação a essa situação dos moradores de rua. O sociólogo enfatiza que não. “A sociedade não é indiferente, basta ver quantas entidades da sociedade civil que trabalham com o tema. Além de instituições ligadas à Igreja, existem IBASE, FASE, PÓLIS, etc.”


Carvalheira esclarece como se deu a introdução em grande escala dessas pessoas em extrema pobreza nas grandes capitais. “Dos anos 70 para cá se tornou um sistema que não mais precisa de empregos de massa, como na primeira revolução industrial. Hoje o desemprego é estrutural e com isso a massa dos desempregados que eram necessários ao sistema, antes havia a troca de trabalhadores sempre a um custo baixo, passaram a ser desempregados desnecessários e se tornaram peças descartáveis do sistema, passíveis de exclusão social”, destaca.


Há um perfill estimado para as pessoas que moram nas ruas, é formado por homem adulto por volta de 40 anos, são negros, tem ensino fundamental incompleto e vive sozinho.
A sobrevivência se torna uma luta a cada dia, alguns preferem ficar ao relento ao se abrigar em albergues, “pois há muito burocracia para conseguir um lugar e quando se consegue, o local é de péssima condição de higiene”, afirma Sofia.   


A forma de busca por sustento é algo que os moradores de rua fazem questão de ressaltar. A agrande maioria, afirma que não pede esmolas, mas sim trabalho. Muitas dessas pessoas fazem o que conseguem para trabalhar, como a reciclagem de papel, latas de alumínio e cobre, o que lhe rendem em média cerca de 15 a 20 reais por dia.


Para a psicóloga Aparecida Magali de Souza Alvarez, mudar essa situação em que os moradores de rua estão não é algo fácil de fazer. “Estamos tratando aqui de um problema extremamente complexo. Apesar de estarem morando nas calçadas cada um que ali está é um ser humano único, com suas singularidades, suas motivações, dores e sofrimentos. Não dá para generalizar. Falar em recuperá- los e sobre introduzi-los na sociedade novamente é falar sobre algo amplo, que em sua complexidade exige que pensemos a respeito de várias circunstâncias, como, por exemplo, o porquê de cada uma dessas pessoas ter chegado a essa situação”, explica.


Segundo psicóloga não é possível dizer que os programas existentes, tanto do governo ou não, estão seguindo pela direção correta e não haverá uma solução em curto prazo. “Os trabalhos realizados pelas ONGs existentes não pode ser analisados de maneira genérica, é necessário que se conheça cada uma, com suas atuações específicas, para podermos dizer caso a caso se estão ou não na direção correta”, disse.


Embasada no estudo que realiza há dez anos com moradores de rua, a psicóloga fala como seria um trabalho com mais resultados, focados nas necessidades dessas pessoas.
“Seria, num primeiro momento, aquela ONG e quando falo ONG falo de pessoas que lá trabalham, que buscasse cada ser humano que está ali, com a cabeça na calçada, que procurasse o ser humano que se esconde atrás daquele sofrimento, daquelas drogas que apagam os sentidos e que o lança nas viagens imaginárias de loucura e alienação. E buscar e procurar não quer dizer fazê-lo através de encontros apressados com eles, em que eles sintam o distanciamento afetivo-emocional do outro que está ali lhes estendendo a mão. É realmente estar com eles, olhos nos olhos, ponto de apoio que os fortalece para o re-encontro do sentido de suas existências” esclarece.




 

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