População sem estrutura e com uma taxa de analfabetismo de quase 50 milhões de pessoas compromete o exercício de cidadania.
A palavra Cidadania veio do latim civita, que significa cidade e uma das definições de cidadania é a pessoa exercer seus direitos e deveres não só para conviver em sociedade, mas também porque se sentem bem. E como será que o brasileiro encara o cidadão? Todos nós devemos conhecer alguma história de algum amigo ou parente que teve alguma atitude “moralmente” correta e que foi achincalhado por algumas pessoas. Pois é, ser cidadão no Brasil não é uma tarefa muito fácil, talvez pelo seu histórico casos de exploração, isso tenha ficado na consciência das pessoas, cansadas de serem exploradas, quererem levar vantagem das situações.
A situação de falta de interesse pelo ato de fazer cidadania deve se levar em conta a falta dos direitos básicos do cidadão, como educação, saúde e moradia, pois sem educação não há como entender o processo de cidadania. Que é o que acontece no país com grande parte da população, na qual segundo reportagem da Reuters, tem 16 milhões de analfabetos e 33 milhões de analfabetos funcionais, que são pessoas incapazes de entender textos longos e cursaram em média quatro séries de estudos concluídos.
O brasileiro classifica o cidadão de uma forma pejorativa, aquela pessoa que não obtêm sucesso, ingênua e que dificilmente atingirá seus objetivos profissionais e pessoais. Afinal para atingir esse êxito precisa ter o jeitinho brasileiro, ou aplicar a famosa lei de Gérson (levar vantagem em tudo) em seu dia- a- dia.
Essa imagem deturpada do cidadão contribuiu para que tenhamos uma sociedade como à de hoje, sem tolerância e com problemas sérios de convívio. E como a mídia constrói a imagem do cidadão? A grande maioria traça um estilo de coitadinho ou sensacionalista, mostrando a casa da pessoa, a vida socioeconômica dela, expondo a uma situação no mínimo constrangedora. Um exemplo que podemos citar é a novela da Rede Record: Cidadão brasileiro, que traçou a imagem de um homem pobre e honesto que convive com a tentação de corromper-se para subir na vida.
No Brasil, é comum ter uma percepção equivocada das principais estruturas da sociedade. E não é diferente com o que diz respeito à cidadania, pois a população não tem exemplos de onde deveriam ter, que são dos seus representantes públicos, pois não é difícil recordar um grande número de casos de políticos desonestos mostrados através da mídia. Os partidos políticos que são a base do regime democrático têm como obrigação em todos os aspectos assumir a responsabilidade de ser a ligação entre a sociedade e seus problemas. Sem a devida estrutura, o cidadão fica vulnerável a errar com relação aos seus direitos e deveres que ele desconhece.